Entrevista com Clavius Tales sobre o Ágiles 2009

Entrevista com  Clavius Tales, da Fortes Informática único palestrante do ceará no Ágiles 2009 evento ocorrido em Florianópolis, Brasil, nos dias 6, 7, 8 e 9 de outubro, o tema da sua  palestra foi Governança Ágil. Todas as perguntas foram elaboradas pelos membros da comunidade em nossa lista de discussão.

XPCE: Quais os benefícios de participar de um evento como o Ágiles 2009?
Tales: O maior benefício é, disparado, a troca de experiências. Num evento desse porte você tem a oportunidade de conversar com os principais praticantes de desenvolvimento ágil do país – e alguns do mundo. A experiência de cada um é riquíssima. Você pode compartilhar suas dificuldades e discutir possíveis soluções. Você aprende também a evitar certos problemas, se aproveitando da experiência alheia.

XPCE: Como foi a participação do público no Ágiles 2009?
Tales: Não entendi exatamente em que sentido é essa pergunta, logo vou responder nos que eu imaginar. Quanto à quantidade de pessoas, acho que foram umas quatrocentas. No sentido de participação durante as palestras, muita interação. A turma pergunta bastante. Quanto ao nível de conhecimento sobre desenvolvimento ágil, o público é bastante heterogêneo. Uma das vantagens do evento foi seu formato, com as trilhas paralelas. Ou seja, havia umas seis palestras rolando ao mesmo tempo, de diferentes níveis, de diferentes assuntos. Isso é legal pois atende a
diversos interesses e diferentes níveis.

XPCE: Como está sendo o desafio de palestrar com a vivência prática que você adquiriu nos últimos anos  para um público que muitas vezes acredita em utopias e no purismo da agilidade?
Tales: Nenhum desafio. Eu também sou utópico e purista. Sou normalmente bem caxias. Meus colegas é que às vezes não gostam muito das minhas posições. Vou dar um exemplo: eu gosto de levar o conceito de design incremental ao extremo. Certa vez estávamos eu uns colegas discutindo sobre o projeto de um middleware para integrar algumas aplicações nossas. Eles já queriam fazer direto, desde o princípio, o middleware isolado. Eu preferi manter essa inteligência incorporada a uma das aplicações, para só depois, quando novas aplicações fossem integradas, aí sim isolar o middleware. Talvez a pergunta se refira àquelas pessoas que acham que trabalhar com desenvolvimento ágil é o nirvana, que não há problemas no dia-a-dia, que não há pressão por prazos, etc. Acho que existem essas pessoas, mas não vejo nenhum desafio em palestrar para elas, pois normalmente são pessoas menos experientes, sem conhecimento suficiente para lhe desafiar. O maior desafio quando vou palestrar nesses eventos é a turma mais experiente.

XPCE: Algumas pessoas não vão a eventos grandes como o Ágiles 2009 alegando que o nível das apresentações é muito alto, o que você tem a dizer sobre isso?
Tales: De certa forma, já expliquei na questão anterior sobre o público. Mas só reforçando: um evento como o Ágiles, com várias trilhas, há palestras para todos os níveis. Havia uma trilha intitulada Introdutória. Ou seja, uma trilha exclusiva para iniciantes.

XPCE: Quais palestras você destacaria com as mais interessantes do evento e porquê?
Tales: Não dá para responder a essa pergunta pois não assisti a todas as palestras. Como o evento é dividido em trilhas, não tem como assistir a tudo. De qualquer forma, das que eu assisti, as que mais gostei foram aquelas de nível mais avançado e que apresentaram muito conteúdo prático.

XPCE: Existem interpretações sobre Agilidade defendidas no evento que contrariem suas opiniões? Existindo, quais e por quê?
Tales: Há, sim, mas eu não diria que são interpretações que se contrariam, mas que são visões com sabores diferentes de um mesmo assunto. E isso é uma percepção tácita. Eu tenho uma visão mais pragmática da agilidade. Há alguns que tem uma visão mais filosófica e psicossocial. É um pouco difícil de explicar, mas eu percebo isso claramente nas discussões. Talvez pelo fato do documento-âncora ter sido escrito em forma de manifesto, eu percebo que alguns interpretam a agilidade de forma meio idílica. Nada contra. Mas eu tenho uma visão mais pragmática. E não há incompatibilidade entre essas duas visões.

XPCE: Que temas ou ideias lhe ocorreram ou foram apresentadas que despertaram curiosidade ou vontade de investigar melhor posteriormente? Por quê?
Tales: Kanban Development e Project Story. No caso do KanbanDev, já venho estudando há algum tempo. Acho que é o melhor modelo para quem trabalha com manutenção e suporte, que é o nosso caso em grande parte aqui na Fortes. Project Story é um conceito criado pelo Luiz Cláudio Parzianello. É uma espécie de Agile Project Charter.

XPCE: Qual a diferença entre a Governança ágil e a tradicional?
Tales: Do ponto de vista da governança em si, a principal diferença se dá na elaboração de  evidências e na existência de equipe de QA. Na governança ágil, isso não existe obrigatoriamente.
Em desenvolvimento tradicional, há em geral um detalhamento excessivo dos processos. Assim, seus mecanismos de governança se focam em garantir que esses processos estejam sendo executados conforme prescritos. Em desenvolvimento ágil, os processos são os mais leves possíveis, procurando focar nos resultados, e não nos processos de execução. Dessa forma, um mecanismo de governança ágil se foca igualmente nos resultados, fazendo verificações mais leves de processos.

XPCE: Você vai divulgar os resultados da Fortes Informática?
Tales: Nunca pensei sobre isso. Refletindo agora rapidamente, acho que seria interessante. A gente tem utilizado esse modelo de governança desde março. Acho que depois de um ano teremos dados quantitativos interessantes.

XPCE: A que você acha que se deve tão poucos artigos publicados em congressos SBC falando em agilidade? Acha que já próximo ano isso já estará começando a mudar?
Tales: Não sei.

XPCE: Quais os principais benefícios que você percebeu com a adoção de mecanismos de governança ágil na Fortes Informática?
Tales: A velocidade de adoção de técnicas ágeis é acelerada. Além disso, o acompanhamento dessa adoção é bem mais simples, pois é concentrado numa espécie de painel de controle que é construído a partir de informações enviadas por cada equipe, sem necessidade de auditorias ou verificações diretas.

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